sábado, 16 de julho de 2011

PERANTE PILATOS


"Tornou pois a entrar Pilatos no Pretório e chamou a Jesus e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo, se fosse certo os meus ministros haveriam de pelejar para que eu não fosse entregue aos Judeus. O meu reino nao é daqui,
Disse-lhe então Pilatos: logo, tu és rei?
Respondeu Jesus: Tu o dizes que eu sou rei. Eu não nasci, nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. João Cap.18 v.33-37

No início do Cristianismo a propagação dos ensinos de Jesus eram transmitidos de forma oral e alguns dos seus seguidores faziam observações particulares ao ensiná-lo. Só bem mais tarde -cerca de 30 anos depois do seu suplício é que houve a preocupação de se conservar por escrito tudo o que o Mestre havia dito. E foram escritos vários evangelhos, dos quais apenas 4, o de Matheus, Marcos, Lucas e João prevaleceram e foram divulgados pela Igreja Católica para estudos. É de se imaginar, pois, que eles não contêm todos os ensinamentos de Jesus.
É sabido, também, que no decorrer dos tempos muitos pontos foram adulterados, o que, contudo,
não invalida o seu conteúdo atual. Muitas das alterações foram para enaltecer a figura do Mestre, outras para atender os interesse da igreja, como a supressão da reencarnação.
O trecho acima, no meu modo de entender, é para enaltecer a pessoa do Mestre, nominando-o rei do mundo espiritual. De fato, nenhum dos apóstolos esteve com Jesus diante de Pilatos e não se conhece documento algum que mencione isso. Os apóstolos, na ocasião, fugiram com medo de serem presos. Jesus, por seu turno, após a audiência com Pilatos, não teve contato com eles, indo direto para o sacrifício. João no entanto, no seu evangelho, conforme texto em estudo, dá a entender que lá estava!
Assim, o relato é uma suposição do acontecido na ocasião, não a realidade, que bem pode ter sido outra.
É de supor que Pilatos não iria indagar do preso se ele era rei. Deveria sim, na qualidade de juiz, ter perguntado porque os Judeus o odiavam tanto a ponto de querer matá-lo e o que ele poderia fazer para salvá-lo, uma vez que não via crime algum para chegar a esse ponto. E Jesus deve ter esclarecido que a verdade que ele pregava os incomodava. Mas nunca ter aceito o titulo de rei! É de supor também que João tivesse sido inspirado a fazer um relato do encontro no qual Jesus apareceria entregando-se em holocausto para que as idéias por ele pregadas prevalecessem para sempre. Sim, pois o seu martírio injusto, infamante, nos ensina que é preferível a morte do que a renuncia das verdades pelas quais lutamos.
O reino de Jesus e dos que o seguem não é de poltrões que o entregariam por um prato de lentilhas, como fez Isau. E isso é verdadeiro pois nos séculos que se seguiram milhares de Cristãos morreram, das mais variadas formas, mas não renunciaram ao ideal que os irmanava: amar a Deus e ao próximo como a eles mesmo!
Jesus morreu sacrificado como um cordeiro pregando a Boa Nova, na qual Deus é um pai amoroso e bom que aguarda ansioso o retorno do filho.
Sabemos hoje que o mundo é uma escola de aprimoramento espiritual, onde através de sucessivas encarnações ganhamos, pelo desenvolvimento da inteligência e da bondade, status de deuses. Sempre somos ajudados e amparados nessa caminhada rumo ao reino da luz . Confiemos plenamente Nele, sem necessidades de oferendas, mas praticando a caridade e as virtudes e seremos felizes, desde nossa vida terrena.

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